quinta-feira, 28 de março de 2013


PÁSCOA

A Pascoa não se define
Numa frase ou glossário,
Porque ela é sublime
Dispensa o comentário,
Pois Jesus ressuscitou
Apesar do seu calvário.

Foram tantos sofrimentos,
Doi no peito recordar
A injustiça que fizeram
Com quem só queria amar.
Numa cruz o detiveram
E todo povo vieram
Seu ódio manifestar.

Mesmo assim em agonia
Deixou a maior lição,
O sublime mandamento
Do amor e do perdão.
Só não segue o ensino
Quem gostar da escuridão.

Três dias foram passados
De tão horrenda violência,
Ele ressurge formoso,
Nos dando sua clemência.
Mostrando pra todo mundo
Que é preciso paciência.

A Pascoa lembra passagem
Do ruim pro lado bom,
Eu ouço gente gritando
Bem alto e em bom som,
Porque ainda a humanidade,
Perdida em perversidade,
Só quer mesmo é bombom!

Meg
27/03/13

quarta-feira, 27 de março de 2013



VIOLA E VIOLEIROS

A viola antigamente,
No Brasil que era sertão,
Alegrava toda gente
Com o toque e a canção.
Foi assim que começou:
O violeiro e o violão.

O cantor daquela época
Os versos seus ilustrava,
Pois falava da rocinha,
Da mãezinha que deixava.
Dos irmãos e dos amigos,
Na despedida chorava.

Assim lembro-me de muitos
Que alegrou meu coração,
Ouvindo nas ondas curtas
Violeiros e sua canção,
Que vinham para a cidade,
Pra mostrar sua profissão.

Quando se apresentavam,
Exibiam seu talento,
Na pureza de sua alma
Demonstravam sentimento.
E no verso bem rimado,
Imprimiam seu talento.

O violeiro sempre acha
Uma canção pra sofrer,
Do filho que o abandona,
Pra noutro lugar viver.
Também fala da mulher,
Que deixou de lhe querer.

Ele encontra no jornal
Um fato para falar,
Ouve até os políticos,
Para depois criticar.
Sempre encontra um motivo
Para todos alegrar.

Ele fala da igrejinha
Que nos domingos orou.
Das saudades da Ritinha,
Que foi lá que encontrou.
Do amor que não deu certo
Porque o amigo lhe roubou.

Saúdo aqui os violeiros
Da cidade e do sertão,
Que escrevem as suas rimas
Pra pontilhar no violão.
Sofrem até sem sofrer
Para criar a emoção.

Eloyr Carré


PAIXÃO

Sentimento alucinado,
A paixão é uma loucura,
É animal indomado,
Não tem ninguém que segura.
Um amante apaixonado,
Faz da vida uma tortura.

A paixão chega depressa
Como fogo no palheiro,
Não existe preconceito,
Incendeia o mundo inteiro.
Só para ter a seu lado
O sonhado companheiro.

É fácil de descrever
Aquele que tem paixão,
Os seus olhos relampejam
Tempestade com trovão, 
Ventania que derruba,
Afunda até embarcação.

São corpos que se desejam,
Num sentimento profundo
E se lhes preciso for
Irão ao final do mundo,
Para estarem a sós
Nem que seja um segundo.

É um sentimento tão forte,
Quem sentiu pode alegar,
Penso que não é amor,
Porque pode apagar.
Amor é bem diferente,
Ele existe pra durar.

Mas na falta do amor,
É bem vinda uma paixão,
Para aliviar a dor
De quem tá na solidão.
Mesmo que ela se apague
Tá valendo a curtição.

Meg
13/03/13

sábado, 2 de março de 2013











ALFORJE

Mandei fazer um alforje,
Pedi para reforçar
Pra caber meu violão,
Que me inspira a cantar.
Com ele levo também
A magia do luar.

Do outro lado do alforje
Coloquei a solidão,
Os momentos que são meus,
O pulsar do coração,
O silêncio das palavras,
Que bastam pela emoção.

No fundo do meu alforje
Uma noite angustiosa,
Lágrimas de desespero
E tampei com uma rosa,
Pra perfumar tudo isso,
Que acabou virando prosa.

Verificando o alforje,
Nele também depositei
Meus amores impossíveis,
Que um dia eu amei,
Empurrei lá para o fundo
E mais flores coloquei.

Completei o meu alforje
Com toda vivacidade,
Esperança, alegria
E também fraternidade.
Para nunca mais faltar
Muito amor, paz e bondade.

Revirei todo o alforje,
Para ver se ainda cabia
O sonho, a ilusão,
Coragem, sabedoria,
Pra não carregar comigo
O peso da agonia.

Caminhando com o alforje,
Estava ele bem pesado,
Coloquei sobre a areia
E recordei o passado.
Revi cenas amargas,
Melhor não ter recordado.

Fui desatando o alforje
Bem defronte ao mar aberto
E tirando um a um,
O errado e o certo.
Pedi que a água levasse,
Não deixasse nada perto.

Esvaziei o alforje,
Para casa fui voltando,
Senti a leveza da brisa,
Pela rua andei cantando,
Qual alegre bem-te-vi,
Novas emoções juntando.

Meg