
VIVER DE SOBEJO
Ó grande Pai do universo,
Rogo a ti inspiração,
Pra nesta missão honrosa,
Viajar pelo sertão
Apresentando esta arte,
Da qual também faço parte,
Por ela tenho paixão!
Peço licença a vocês,
Pra falar de dois destinos:
Patativa e Luiz,
Dois artistas nordestinos.
Na letra “triste partida”,
Qual conta sina doída,
Valentes estes meninos!
Nesta música que conta
A saga do sertanejo,
Desta gente sofredora
Sempre a viver de sobejo
Duma viagem sem fim
Viver e sofrer assim
Retornar é seu desejo.
Patativa do Assaré,
Sertãozão do Ceará,
De Exu veio Gonzaga,
Pernambuco seu lugar.
Patativa pro cordel,
Ao seu torrão foi fiel,
Gonzagão veio cantar.
Cantando vida mesquinha,
De pobres e sem escola,
Do choro, da dor cruel,
Até do pedir esmola.
Daquela gente sofrida,
Reclamando por guarida,
Dura seca que assola!
É nesta letra marcante,
Que Patativa e Luiz
Apresentam para nós
Cada palavra que diz:
Doída, triste partida,
Pra esta gente aguerrida,
Poesia do Brasil raiz.
Contaram esta história,
Vozes que comoveu o mundo,
Para o nordestino, glória
Deste sentimento profundo,
Expresso aqui agora,
Pois quem a ouve chora.
Dor, tormento cala fundo!
Quero aqui neste cordel
Externar minha emoção.
Homenagear dois mestres
Dentro do meu coração.
Filhos daquele lugar,
Gente que sabe contar
Quando não chove no chão.
Luas Ribeiro




