Lamento de um amor
O fato que vou contar
Aconteceu no Sertão:
Um cabra muito valente,
Por nome de Lampião.
Além da historia contar,
Nós vamos representar.
Preste bastante atenção!
Ele, um rapaz normal.
Cabra macho, sim senhor!
Tornou-se cangaceiro
Por causa de um horror.
Incendiaram sua morada,
Matando sua mãe amada
E também seu genitor!
O menino Virgulíno
Endureceu o coração.
Só pensando em vingança,
Percorreu todo sertão.
Quem passasse em sua frente,
E que não fosse decente,
Levava uma lição!
Sem que ele percebesse
Seu coração bateu forte.
Aquele homem frio,
Sem sonho, rumo ou norte,
Apaixonou-se por Maria.
Tudo virou alegria,
Tudo virou boa sorte.
Maria que era bonita
E esposa de um sapateiro,
Quando viu lampião,
O amor falou primeiro!
Disse: Meu grande amor,
Juro por nosso senhor,
Tu serás o derradeiro!
Lampião vendo em Maria
Um poço de fortaleza,
Disse: Oh, linda Maria,
Digo com toda franqueza,
Não nascerá neste mundo,
Um amor forte e profundo,
Com tanto encanto e beleza!
Ela foi a sua mulher,
Amante e cangaceira.
Maria sempre bonita
E também muito guerreira.
Pegava num bacamarte
E dava tiros com arte,
De uma forma certeira!
Nunca o cangaço e o amor
Andaram tão juntinhos.
Maria e Lampião
Pareciam dois pombinhos.
Olhares enamorados,
Os dois sempre abraçados,
Pareciam dois anjinhos.
Mas o destino cruel
Preparou uma emboscada:
Mataram o Virgulíno
E também sua adorada!
Ficou naquele momento,
O povo com o lamento
Do cangaceiro e amada.
14.11.2012
Cleusa Santo




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