sábado, 22 de dezembro de 2012




VIVER DE SOBEJO

Ó grande Pai do universo,
Rogo a ti inspiração,
Pra nesta missão honrosa,
Viajar pelo sertão
Apresentando esta arte,
Da qual também faço parte,
Por ela tenho paixão!

Peço licença a vocês,
Pra falar de dois destinos:
Patativa e Luiz,
Dois artistas nordestinos.
Na letra “triste partida”,
Qual conta sina doída,
Valentes estes meninos!
  
Nesta música que conta
A saga do sertanejo,
Desta gente sofredora
Sempre a viver de sobejo
Duma viagem sem fim
Viver e sofrer assim
Retornar é seu desejo.

Patativa do Assaré,
Sertãozão do Ceará,
De Exu veio Gonzaga,
Pernambuco seu lugar.
Patativa pro cordel,
Ao seu torrão foi fiel,
Gonzagão veio cantar.

Cantando vida mesquinha,
De pobres e sem escola,
Do choro, da dor cruel,
Até do pedir esmola.
Daquela gente sofrida,
Reclamando por guarida,
Dura seca que assola!

É nesta letra marcante,
Que Patativa e Luiz
Apresentam para nós
Cada palavra que diz:
Doída, triste partida,
Pra esta gente aguerrida,
Poesia do Brasil raiz.

Contaram esta história,
Vozes que comoveu o mundo,
Para o nordestino, glória
Deste sentimento profundo,
Expresso aqui agora,
Pois quem a ouve chora.
Dor, tormento cala fundo!

Quero aqui neste cordel
Externar minha emoção.
Homenagear dois mestres
Dentro do meu coração.
Filhos daquele lugar,
Gente que sabe contar
Quando não chove no chão.

Luas Ribeiro

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

“Luiz Gonzaga

Quem não dançou um baião
Em volta de uma fogueira,
Com seu Luiz tocando,
Naquela vila festeira.
Sua sanfona rasgava,
Com ele o povo cantava
A linda mulher rendeira!”

Lourdes Borelli

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

8ª  Mostra do Centro de Referência e Cidadania do Idoso - Creci


Lamento de um amor

O fato que vou contar
Aconteceu no Sertão:
Um cabra muito valente,
Por nome de Lampião.
Além da historia contar,
Nós vamos representar.
Preste bastante atenção!

Ele, um rapaz normal.
Cabra macho, sim senhor!
Tornou-se cangaceiro
Por causa de um horror.
Incendiaram sua morada,
Matando sua mãe amada
E também seu genitor!

O menino Virgulíno
Endureceu o coração.
Só pensando em vingança,
Percorreu todo sertão.
Quem passasse em sua frente,
E que não fosse decente,
Levava uma lição!

Sem que ele percebesse
Seu coração bateu forte.
Aquele homem frio,
Sem sonho, rumo ou norte,
Apaixonou-se por Maria.
Tudo virou alegria,
Tudo virou boa sorte.

Maria que era bonita
E esposa de um sapateiro,
Quando viu lampião,
O amor falou primeiro!
Disse: Meu grande amor,
Juro por nosso senhor,
Tu serás o derradeiro!

Lampião vendo em Maria
Um poço de fortaleza,
Disse: Oh, linda Maria,
Digo com toda franqueza,
Não nascerá neste mundo,
Um amor forte e profundo,
Com tanto encanto e beleza!

Ela foi a sua mulher,
Amante e cangaceira.
Maria sempre bonita
E também muito guerreira.
Pegava num bacamarte
E dava tiros com arte,
De uma forma certeira!

Nunca o cangaço e o amor
Andaram tão juntinhos.
Maria e Lampião
Pareciam dois pombinhos.
Olhares enamorados,
Os dois sempre abraçados,
Pareciam dois anjinhos.

Mas o destino cruel
Preparou uma emboscada:
Mataram o Virgulíno
E também sua adorada!
Ficou naquele momento,
O povo com o lamento
Do cangaceiro e amada.

14.11.2012  Cleusa Santo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


O VELHO SANFONEIRO

Mil novecentos e doze,
Nascia o menino Gonzaga,
Lá no Exu Pernambuco,
Assim começava a saga.
O sucesso foi tamanho,
Que até hoje se propaga!

Na vida representou
O seu povo nordestino,
Através do seu cantar
Foi fazendo seu destino,
Tornou-se o rei do baião
Um sanfoneiro divino!

O Luiz, homem guerreiro,
Que conquistou com braveza
Seu espaço e referencia
Com talento e presteza,
Aos conterrâneos, sua gente,
Externando-os com grandeza!

O forró tão popular,
Regional e pé de serra,
És nosso Sebastian Bach
Do Brasil, a nossa terra.
Presenteou-nos com seu brio
Seu invento, que não se encerra!

Ele será para sempre
O dono deste legado.
O nosso Luiz Gonzaga,
Lá no céu homenageado,
Com muita alegria e festa,
Por Padre “Ciço” sagrado!

Terminada a benção
O Frei Damião, boníssimo,
Prepara a ceia de néctar.
Luiz Jacinto, alegríssimo,
Traz Coronel Ludogero
Atuando em tom gravíssimo!

Irandir Costa, o Otrópe,
Filomena Ludogero,
Na voz de Mercedes Prado,
Lampião com lero-lero,
Todos os conterrâneos
Do norte, poetas e clero!

Faltava Maria Bonita,
Logo também chegaria.
A notícia se espalhara
Toda parte em euforia:
Da terra chegou Luiz,
No céu foi só alegria!

E convidaram Luiz
A vestir o seu gibão,
Pôr sanfona e chapéu
E cantar o seu baião.
Puxando o fole até
O raiar do sol irmão!

Pois a festa foi tão boa
Que Luiz por lá ficou.
Da terra só tem saudades,
Até do amor se curou.
O do tronco do Juazeiro,
No qual seu nome cravou.

São Paulo, Novembro de 2012

Edmilson Araujo

sábado, 24 de novembro de 2012


DESAFIOS DA VIDA

Os desafios da vida
É uma luta constante,
Ensinando e aprendendo,
Sem achar que é bastante.
Tomba, levanta e vai
Na caminhada avante.

Viver é dom radiante,
Sempre usando o bom senso.
Consegue algo a mais
Quando pensa por extenso.
Acomodar-se jamais,
Porque o mundo é imenso!

As vezes eu paro e penso,
Medito ao Criador,
Contemplo sua beleza,
Que nos fez só por amor.
Tenho profunda certeza:
Vem Dele todo esplendor!

Num hábito contemplador,
Tudo agradeço ao Pai.
E peço saúde e força
Por quem escorrega e cai.
E sigo na caminhada,
Peço: Não me abandonai!

De tudo somos capazes.
De má ou boa intenção.
Temos momentos na vida
Cheios de contradição.
E tem momento agradável,
É essa a compensação!

Se erro, peço perdão
Por todos erros enfim.
O segundo mandamento
Que Deus deixou, é assim:
Se amai-vos uns aos outros,
É como amar a mim!

Nos labirintos do amor
Há muitas formas de amar.
Só duas formas nos guia
Que sabemos aonde chegar.
Outras formas nos enganam,
Não leva a nenhum lugar!

Meditamos toda a vida,
Amando o que nos destes.
Nada existe igual
O que de bom nos fizestes.
É vossa a honra e glória.
Lembra-te de mim! Dizestes.

Manoel Silva

terça-feira, 13 de novembro de 2012


Liberdade

Salve meu mestre Zumbi
E a toda força do bem.
Salve meu pai Oxalá
E os orixás também.
A capoeira de Angola,
Este presente do além!

Salve a alegria do samba,
O negro e o tamborim.
Salve o mestre Mandela,
Que é homem e querubim.
Negros, brancos e amarelos,
Cantem num coro assim:

Liberdade, liberdade ...
Eu quero ouvir seu cantar!
Para que todos os povos
Livres possam caminhar,
Unidos de coração,
Cantando a mesma canção:
Amar, amar e amar!

20.11.2012
Dia da Consciência Negra

A VIDA

Vida é uma centelha
Que nasce junto ao ser.
Pode ser uma fagulha
De luz quando ascender.
A vida aqui e agora
É uma dádiva a viver.

A vida é a criança,
Nasce: irrompe a chorar.
Deixa feliz quem espera
Nasceu viva prá alegrar.
A vida em todo o ser
Um mistério a pensar.

Vida é o grande bem
Foi Deus à nos conceder.
E amar e respeitar
Faz parte de todo o ser.
Por isso a gratidão
De estar aqui e compreender!

A vida é como filme,
Tem começo meio e fim,
E eu sempre me pergunto:
Para que aqui eu vim?
Creio que o bom Deus
Um presente deu a mim!

A vida para ser boa,
Precisa ser motivada.
Para tornar-se mais bela,
Viver é conto de fada.
O que dá sentido a vida:
É o amor! Amor, mais nada!

Por isso eu digo sempre:
Tome conta meu Senhor!
Caminhando junto a Ti,
Serei forte com vigor!
Não deixe errar o caminho,
Meu caminho é do amor!

Eloyr Carré

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


A LENDA DA MANDIOCA

A história da mandioca
É do tupi guarani,
Ouvi em setenta e seis,
Só escutei mais não vi.
Foi Couto de Magalhães
Quem escreveu e eu li.

Que um dos chefes selvagens,
Morador lá do sertão,
A filha engravidou
Sem nunca ter relação,
O chefe pai quis punir
Essa triste situação.

E essa linda menina
Vivia toda assustada,
Acolhia-se na oca,
Cabisbaixa apavorada.
Com a barriga crescendo,
Ficava desesperada.

Sempre dentro da oca,
Com aquele sofrimento,
Sem saber o que fazer,
Com esse acontecimento.
A barriga só crescendo,
Sofreu até o nascimento!

Deu a luz uma menina,
E foi difícil acreditar:
Que nasceu de uma graça,
Teve muito que enfrentar
Pra nascer essa criança,
Para nessa lenda entrar!

A criança que nasceu
Andou precocemente.
Com um ano logo morreu,
Sem doença aparente.
Foi enterrada na oca,
Dali nasceu a mandioca
Que alimenta muita gente!

Essa gostosa raiz
É fácil de cultivar,
Que todo agricultor
Gosta mesmo de plantar.
Cozida e bem fritinha,
A bela raiz branquinha
Pro povão alimentar!

Zezinha Olivio

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


IMIGRANTE

Oriente misterioso,
A terra do sol nascente.
Emigraram meus pais,
Lá deixaram sua gente,
Para fazer desta airosa
A nova pátria crescente.

Abraçando com afinco
O trabalho e ação,
Refúgio para luta,
Sentindo no coração
A nova realidade
E o amor pela nação.

Cleuza Yamauti


Vida

A vida da minha vida,
Vive uma vida bela.
Como se a própria vida,
Fosse uma vida só dela.
Desfilando pela vida,
Como numa passarela.

Não me dou conta da via,
Da via que os contos têm.
Só me importo com os contos,
Dos contos que me faz bem.
Ai da via de cada um,
Se os contos vão pro além!

Edgar Pelouzi

sábado, 27 de outubro de 2012

 A PRIMAVERA

Depois do vento gelado,
Que vem do sul e do mar,
Começa a ter sol quentinho,
Que a todos vem alegrar.
A primavera chegando
Para o frio dispersar.

Com ela tudo renova,
Novos brotos vão surgindo,
São folhas, flores e frutos,
Parecem estar sorrindo.
Com orvalho brilhando,
A primavera está vindo!

Os dias de primavera
Alegram os passarinhos,
Que começam a fazer
Bem felizes os seus ninhos.
É tempo de namorar,
De chocar os seus ovinhos!

A primavera transmite
Aos seres renovação.
As crianças brincam mais,
Os adultos dão vazão
À seus belos sentimentos,
Que nascem no coração!

Os jardins ficam floridos,
No ar exala o perfume.
O amor é mais ardente,
Quem se ama se assume.
A noite fica mais linda,
No piscar do vaga-lume.

Os dias de primavera
Vejo como um presente,
Que Deus manda com amor,
A todo o ser vivente.
Aqui cada um é único
Escrevendo o que sente.

Toda estação do ano,
Cada qual com seu valor,
O inverno e o verão
Contrasta frio e calor,
Outono e primavera
Inspiram o sonhador.

As estações vão passando
Diferentes todas são.
É o equilíbrio da terra,
Todas tem uma missão,
Enquanto o planeta gira,
Esfria ou aquece o chão!

Assim termina o ano
Quando o verão começa,
Então sucessivamente
Novo ano recomeça.
E os ciclos se formando,
O tempo não volta, nem cessa!

Eloyr Carré (autora)
"As Fábulas de Esopo", o primeiro trabalho de Eloyr Carré em cordel  publicado pela Editora Luzeiro.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Lamento do meu querer

O meu querer é tão grande,
Tira-me o rumo e razão!
Não é um querer da carne,
Desejo ou só paixão!
É querer tudo querendo,
Um viver quase morrendo,
É pecador sem perdão!

É um desejo que mata,
Tira pedaços de mim,
Vai roubando minha alma,
Isso do começo ao fim!
É um querer tão querido,
É o achar do perdido,
Que vive dentro de mim.

Meu bem se você soubesse,
Como dói o meu querer,
Deixava tudo e todos,
Vinha comigo viver!
Só assim a alma minha
Repousava bem calminha
E parava de sofrer.

Cleusa Santo
11.10.2012

Trabalhos realizados pelo Grupo:
  
julho/2012 - Palestra sobre o cordel para os professores da Fundação Sergio Nasser (Por um mundo melhor) - Fone: 3661-8608
Rua José Pereira de Queirós nº 77 – São Paulo/SP
Participantes: Cleusa Santo, Edgar Pelouzi e Fermino Silva
Contato Profª  Iris

Palestra para os alunos de Pedagogia das Faculdades Sumaré - Unidade Carrão
Participantes: Cleusa Santo, Josué Gonçalves da Araujo, Edgar Pelouzi e Zezinha Olívio (São Paulo/2012)

Faculdades Sumaré - Unidade Tatuapé
Rua Gonsalo Nunes nº 368
Contato: Profª Rose
Participante: Cleusa Santo (São Paulo/2012)

Em 05/09/2012 - Homenagem em cordel a Adoniram Barbosa no Cecco Jaçanã/Tremembé
Av. Paulo Lincoln do Valle Pontin nº 241 – Fone: 11-22435356
Participantes: Cleusa Santo, Zezinha Olívio, Edgar Pelouzi, Eloy Carré e Cleusa Yamauti
Contato: Zezinha Olívio

Em 01/10/2012 - Palestra sobre cordel no Céu Jaçanã
Av. Antonio Cesar Neto nº 105/Rua Costa Brito s/nº
Contato: Marilena Biblioteca
Participantes: Cleusa Santo, Zezinha Olívio e Eloy Carré

Em 26/09/2012 – Palestra de Cordel para os alunos do Colégio Estrela Sirius - Pirituba
Participantes: Cleusa Santo, Edgar Pelouzi e Eloy Carré

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Liberdade, liberdade ...
Quero ouvir seu cantar!
Para que todos os povos
livres possam caminhar,
unidos de coração,
Cantando a mesma canção:
Amar, amar e amar!"

Cleusa Santo